Educação - Filosofia - Dignidade- Democracia

Educação - Filosofia - Dignidade- Democracia

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Paulo Freire e a Universidade

         O professor Paulo Freire é indiscutivelmente um dos nossos maiores Filósofos e Pedagogos. Jamais deixou de responder uma carta a quem o questionasse ou solicitasse maiores esclarecimentos sobre alguma das questões propostas em seus livros. Sobre a sua visão de Universidade, em texto intitulado "A Universidade de meu Sonho", ele assim respondeu:
       "Você me pediu que escrevesse algumas palavras sobre a 'Universidade de meu Sonho'.". Em primeiro lugar, gostei da formulação de seu pedido. Sonho é uma palavra de assídua frequência nas minhas falas como nos meus escritos. O sonho como antecipação desenhada do que buscamos tem sido, ao longo de minha vida, um ingrediente de minha prática.

        Parece que devo explicar melhor o que quero dizer. Falo do sonho como projeto social e não puramente individual, de sonho historicamente possível e não do sonho, ora expressão voluntarista de uma subjetividade que se pensa a si mesma todo poderosa, ora expressão de uma consciência que se desgarra do real, perdendo-se em meros devaneios. O sonho de que falo é o sonho com algo que pode vir a ser concretizado, hoje ou amanhã, com algo engendrando-se na História. Nesse sentido, o sonho envolve a luta pela realização do sonhado, que deve ser conquistado e não recebido como doação.
        Se não é possível sonhar fora da História, não é possível também, numa visão crítica do sonhar, imobilizar o sonho, transformando-o num modelo impecável, acabado, fixo, dentro do sonho, fazendo-se na práxis, no bojo dos conflitos sociais, o sonhado é processo, tem historicidade.
         Outro aspecto que me parece importante salientar em toda esta questão do sonho e do sonhado é que há sonhados cuja materialização plena pressupõe ou demanda a concretização de um "sonhado anterior", nem sempre criticamente percebido por quem sonha. Diante desta constatação precisamente para prevenir no sentido de evitar cair em uma das tentações - a tentação segundo a qual basta sonhar para que o sonho se faça real e mecanicista, segundo a qual nada é possível fazer em favor do sonho que se sonha, antes que se verifiquem transformações radicais no contexto em torno de que se sonha. 
        Meu sonho de universidade passa necessariamente pelo meu sonho de sociedade. Se, porém, a Universidade de meu sonho não pode preceder a sociedade de meu sonho, ela não pode esperar que aquela se efetive para ensaiar seus primeiros passos. 
        A Universidade que aí está, que não é a de meu sonho, em dinâmica relação com a sociedade de classes, burguesa, que obviamente também não é a do meu sonho, não é, porém, pura reprodutora da ideologia dominante desta sociedade. Neste sentido, a luta pela Universidade de meu sonho, substantivamente democrática, deselitizada, séria, comprometida com a ciência sem ser cientificista, rigorosa, competente, crítica, exigente, criadora, avessa a qualquer forma de dicotomia: pesquisa, docência (produção do conhecimento, conhecimento do conhecimento existente); autoridade, liberdade; texto, contexto; ler, escrever; saber popular, saber acadêmico; teoria, prática; ensinar; aprender, a luta pela Universidade de meu sonho se dá politicamente na intimidade da Universidade real, concreta, em que me acho. A luta por ela se dá na luta política a favor da sociedade com que sonho, que não aparece por acaso, nem por decreto, nem por voluntarismo de nenhuma espécie, mas pela transformação da que aí está, concreta, real. 
        Por isso é que a posição tradicionalista, cega e surda aos interesses de classe no espaço escolar e para a qual ensinar e aprender são atos puros e castos, em nada tem a ver com o meu sonho de Universidade. 

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Soy latino americano - Zé Rodrix


Segue a letra da música.

Não acordo muito cêdo
Mas não fico preocupado
Muita gente me censura
E acha que eu estou errado
Deus ajuda a quem madruga
Mas dormir não é pecado
O apressado come crú
E eu como mais descansado...

Soy Latino Americano
E nunca me engano
E nunca me engano
Soy Latino Americano
E nunca me engano...

Meu caminho pro trabalho
É um pouco mais comprido
Eu vou sempre pela praia
Que é muito mais divertido
Chego sempre atrasado
Mas eu não corro perigo
Quem devia dar o exemplo
Chega atrasado comigo
E diz:...

Soy Latino Americano
E nunca me engano
E nunca me engano
Soy Latino Americano
E nunca me engano...

É legal voltar prá casa
Mas eu não volto correndo
Quem tem pressa de ir embora
No transporte vai morrendo
E eu que não me apresso nunca
Pro meu bar eu vou correndo
E encontro a minha turma toda
Sentada na mesa dizendo assim...

Soy Latino Americano
E nunca me engano
E nunca me engano
Soy Latino Americano
E nunca me engano...

Quando eu abro a minha porta
Muita gente está jantando
Quando eu ponho a minha mesa
Muita gente está deitando
Eu me arrumo e vou prá rua
E na rua vou achando
Muita gente que trabalha
Se divertindo e cantando
Assim:...

Soy Latino Americano
E nunca me engano
E nunca me engano
Soy Latino Americano
E nunca me engano...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Flores - Titãs





Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro
Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo

A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem

Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro
Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo

A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem

Tarsisfettismos

          A Educação é uma grande e interminável luta em favor do ser humano, pelo crescimento da convivência para formar cidadãos capazes de construir o futuro da nação, fundamentada na liberdade, na igualdade e na justiça. È presença marcante no debate público. A mídia costuma reproduzir posições e análises de governadores, prefeitos, empresários, pesquisadores, artistas, jornalistas, intelectuais em geral. Sobre educação todos falam, isto é, quase todos. Falta a voz dos educadores nesse diálogo. Há um mutismo comunicacional, justamente por parte daqueles que introjetaram o conceito de educação -por vezes diferente da Academia- a partir de um fazer pedagógico que, menos comprometido com um concerto de belas palavras,  incorpora "verdades", anseios, indignações e angústias, próprias e dos estudantes.
         O que pensa o Magistério gaúcho sobre justiça, educação, e políticas sociais?

     Quando ocupava o Ministério da Justiça, no Governo Lula, Tarso Genro - hoje Governador -, escreveu um artigo com grande circulação nacional intitulado "Adolescentes na cadeia". Referia-se,  à época, ao grande problema  da desestruturação dos valores essenciais de convívio numa sociedade democrática e ao apelo à repressão para substituir as soluções sociais de fundo.
        O Ministro manifestava-se contrário ao possível resultado da tramitação da Emenda Constitucional, no Congresso, que pretende responsabilizar criminalmente os adolescentes a partir de 16 anos de idade. A proposta altera a responsabilidade penal plena, que hoje ocorre a partir dos 18 anos (Art. 229 da Constituição Federal). Tarso teve o cuidado de usar o termo "marginalizados", lembrando daqueles que tiveram pouca ou nenhuma oportunidade. "A medida é duplamente nefasta: primeiro, porque ilude a sociedade de que os delitos cometidos pelos adolescentes serão reduzidos pela possibilidade de apenamento a partir de 16 anos;  segundo, porque mistifica as origens do desajuste e dos atos infracionais entre os jovens: o que é produto -na verdade- de uma sociedade que estimula a violência passa a ser abordado como uma questão de repressão pura e simples", disse o Ministro.

       Quem é jovem e está conhecendo o mundo, se transgredir deve ter outra chance, isto é, a possibilidade de recuperar-se do erro. Isso passa pelo acesso à cultura, pela escola,  pela qualificação dos professores, e por salários dignos. E, Tarso conclui dizendo que "precisamos é abrir perspectivas de futuro para a sociedade e não construir prisões". Penso que ao manifestar-se contrário à antecipação da maioridade penal, Tarso Genro também estava falando sobre Educação, pasta na qual também foi Ministro.
       
    Temos, lamentavelmente, um programa de televisão da 4ª. Emissora que cotidianamente faz apelos veementes à ação policial de resultados, por vezes nem importa muito se quem sofreu a ação foi um trabalhador humilde ou um bandido. Vivemos numa sociedade que ainda é muito discriminatória. A origem da discriminação, seja ela de raça ou de sexo, geralmente é consequência da desigualdade social. Desde a Grécia Antiga, em toda a história ocidental o poder é branco, masculino e adulto. O jovem, que não é ouvido ficaria melhor na cadeia, livrando a coletividade do vigor físico e da rebeldia "esquecida" e deseducada dos mais humildes, evidentemente.

     Cláudio de Moura Castro nos ajuda a refletir sobre oportunidade e políticas socias.Quando dirigia a CAPES no início dos anos 90, usando de uma prerrogativa de Diretor, redistribuiu as bolsas de estudo - negando uma concessão anterior a uma candidata negra - e as redistribuindo, segundo ele, por mérito, desmontando na prática a proposta de Cotas para Negros, hoje afrodescendentes, nas universidades brasileiras.

       Castro aponta como caminho, uma melhor preparação dos pobres (afro ou brancos) para ficarem aptos a competir pela vaga na Universidade, isto é, identificando-se com o raciocínio de Tarso Genro também propõe saídas que se iniciam numa sala de aula. Sabemos que governantes sonham com grandes obras de infraestrutura que realcem historicamente o seu nome. Salvo honrosas excessões, pouco lembram do povo, o que mais fazem é pensar na próxima eleição. Pergunta-se: Pode um professor(a) insatisfeito com o salário que recebe, cumprir bem sua missão? Por que ainda estamos discutindo uma decisão da Suprema Corte sobre o Piso Salarial Nacional dos Professores?


          Narcisismos à parte, como disse a cantora Sandra de Sá: "Ninguém aqui é puro, anjo, ou  demônio...Não dá pra separar o que é real do sonho"! Estamos querendo manifestar o olhar que aprendeu  a ver o que está por trás dos muros da hipocrisia que insiste em nos rodear. O Mestre está dizendo: Já sei olhar pra mim sem precisar de espelhos!!!

Crime de Desobediência

        O Brasil, nas palavras de Machado de Assis, "é um país caricato e grosseiro". Vivemos momentos realmente inacreditáveis em matéria de respeito à ordem pública e a decisões jurídicas incontestáveis. Em matéria de Educação, por exemplo, experimentamos momentos difíceis apesar das tentativa do Ministério da Educação (ME), de valorização dos profissionais do ensino, via comerciais de televisão.
         Pelo país afora, vemos imagens estarrecedoras de brigas de gangues, de alunos portando armas e de professores(as) desrespeitados, ofendidos, humilhados e, inclusive, covardemente espancados em sala de aula.
         Agora estamos reivindicando, em praça pública, a implantação do Piso Salarial Nacional dos Professores (PSNP), depois de uma decisão do Supremo Tribunal Federal que derrubou a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN), impetrada por alguns governadores, dentre eles a ex-governadora Yeda Crusius, do Rio Grande do Sul.


         A "Campanha" ganha as ruas em todo o país. Está manifesta na Esplanada dos Ministérios. Milhares e milhares de professores mobilizam-se em frentre ao STF. O Supremo considerou o vencimento básico como Piso Salarial, mantidos e adicionados todos os benefícios adquiridos com a efetividade. E ainda garante 1/3 da carga horária para reuniões e preparação de aulas. Disse, o Presidente do STF, Min. Cesar Peluso, que não cabe o argumento de que não há verba para pagamento. E determinou: Cumpra-se!

         De uma maneira ou de outra, o homem sempre dependeu da presença da lei. Graças a ela chegamos a esse estágio evolutivo. Desde os primeiros momentos da humanidade, o homem precisou controlar o meio, a fim de construir uma sociedade justa. Mesmo os povos "bárbaros", assim denominados porque não possuiam a cultura romana, tinham leis que regiam a comunidade. Já no Antigo Testamento vemos um vivo depoimento, quando da desobediência de Adão e Eva.
 

         As conquistas e os tratados de paz aproximaram os povos e, com eles, os costumes. Classificados como leis de conduta moral, originaram mais tarde, no declinar do Império Romano, o "Corpus Juris Civilis", monumento máximo das ciência jurídicas.

         Na França, durante os reinado s de Luís XIV e Luís XV, o Direito sofreu as maiores deturpações. A pena era simplesmente comutada, sem qualquer provimento ou lógica jurídica. O Rei era o Estado. Mas, apesar disso, o anseio de justiça e a necessidade de punição aos culpados levou o povo francês às ruas, a clamar pelo Direito...Era a Revolução Francesa, a primeira revolução sangrenta por questões sociais. O povo, então, liberta-se das punições injustas e reivindicava igualdade e justiça.

        Passado o tempo, em pleno século XXI, experimentamos as grandes conquistas tecnológicas. Mas muitos homens não entenderam, ainda, o conceito de justiça social. Os interesses fisiológicos e partidários elevam individualidades que buscam mistificar a ciência  do "Dura Lex, Sed Lex". Em alguns momentos, contudo, o homem conseguiu que a justiça lhe valesse e o amparasse. Acontece que as leis não são exatamente sinônimo de justiça. Se a lei é o caminho para a punição justa, é verdade que às vezes, no silêncio da noite,  ela sofre incomprensão e/ou desobediência.
        E, em se tratando do Piso Salarial dos Professores, essa história política e jurídica não pode ser desconsiderada. Não há qualquer dúvida de ordem jurídica, que pudesse justificar esse tipo de resistência ao cumprimento de uma decisão judicial.  O descumprimento da decisão do Supremo, pode caracterizar "Crime de Desobediência". Neste caso, caberia aos sindicatos apresentarem denùncia à Procuradoria-Geral da República, a quem caberia atuar para verificar a existência do crime e denunciá-lo ao STF para que fossem tomadas as devidas providências. 

A Importância da Filosofia no Ensino Secundário

             Para entender a importância da Filosofia vamos aqui encará-la, inicialmente, no Ensino Secundário. Em seu livro “Filosofia no Ensino Médio” (2000), ainda no prólogo, o professor de Filosofia e Educação, Antônio Joaquim Severino, da Faculdade de Educação da USP, entende o exercício do filosofar como uma exigência própria da condição humana e, consequentemente, considera o ensino da filosofia uma mediação pedagógica imprescindível para a formação dos homens histórica e socialmente situados. Essa necessidade, segundo Severino, justifica-se à luz de uma concepção de existência humana fundada na dignidade da pessoa, bem como à luz da percepção de que essa dignidade só pode ser garantida e implementada a partir das suas mediações históricas, ou seja, através do trabalho, da participação social, no mundo da cultura e do desenvolvimento cultural das pessoas (...). Não há, pois, como inserir as novas gerações no mundo do trabalho, no mundo da participação social, no mundo da cultura, de maneira ingênua,  automática,  mecânica ou dogmática. Por isso, a função da educação é exatamente explorar esta que é a única ferramenta: o conhecimento.

            Todos aqueles que desejam inserir-se no mundo da cultura contemporânea precisam ver o mundo e abordá-lo filosoficamente. Isso serve aos estudantes próximos da conclusão do Ensino Médio, seja para ingresso no mundo do trabalho ou na busca do ensino propedêutico para ingresso na Universidade.

             A superação do senso comum e do egocentrismo cognitivo – centrado no próprio aluno, em “seus valores” e sentimentos - depende da alavanca que a filosofia pode proporcionar. O estudo de Filosofia é condição indispensável para o jovem buscar perspectivas, modificar conceitos, alargar os horizontes de sua compreensão sobre o mundo e a cultura. Mas para que o ser humano é educado? Para o pleno exercício da liberdade e da responsabilidade ou para se manter dentro da ordem estabelecida? Em outras palavras, educamos para que cada homem possa pensar autonomamente ou para aceitar as regra que os outros pensaram para ele.

             O ensino de filosofia, durante o Brasil Colônia, apresentava um conteúdo que legitimava o poder hegemônico das elites dominantes. Nos anos de chumbo da ditadura, nossos jovens tiveram vetado o direito de pensar, reprimindo o desenvolvimento do seu juízo crítico.

             Evidentemente faltam atores no palco. Sobram máscaras, especialmente na política. Os movimentos estudantis estão enfraquecidos. Grêmios Estudantis historicamente desconstituídos são maquiavelicamente recompostos em processos eleitorais, induzidos por Diretores, sempre virtuais candidatos, cujas regras nem sempre são minimamente respeitáveis do ponto de vista democrático. Diretórios Acadêmicos e DCEs, Centrais Sindicais, Sindicatos e demais movimentos sociais hibernam, deitados em berço esplêndido, sonâmbulos das guaritas do poder. Como aranhas, enroscaram-se, tranqüilas, à própria teia à espera de uma vítima, da mesma espécie, talvez. Preocupados com seus interesses pessoais, parece que já não querem mudar o mundo; parafraseando o poeta Renato Russo ”quem mudou nossa coragem?”

              Para piorar este quadro, os valores estão cada vez mais banalizados, onde o fundamentalismo econômico ou o neoliberalismo aprofunda e engendra novas formas de miséria material e espiritual, constituída pelo binômio da barbárie pós-moderna: violência e insegurança. Barbárie, que também é a redução do homem à condição de” massa sobrante” que vale nada para o mercado que espera lucro e competitividade a qualquer preço.

              Essa crise de valores afeta frontalmente a escola.O ensino médio passa por uma crise profunda de sentido. Existe evasão, reprovação, violência física e verbal, falta de significado do que é estudar, de entusiasmo ao corpo docente, de interesse dos alunos e de investimento significativos do poder público. Para a escola, sua estrutura e salário de professores e funcionários, faltam verbas.Sobram menores desassistidos nas ruas e políticos corruptos encastelados em palácios públicos e privados. Faltam policiais nas corporações e salários dignos às polícias e aos bombeiros. Faltam trabalhadores  qualificados, sobram “picaretas” especializados. Falta diálogo entre prefeituras e trabalhadores, sobram consultorias. Faltam “exemplares de gado” nas escolas, sobram ferraduras em Secretarias.

              O raciocínio filosófico, nesse contexto de perplexidade, ao questionar, faz retomar, mergulhar nessa realidade, tornando-a de sua reflexão, levando os alunos a questionar sobre aquilo que estão fazendo – muitas vezes de modo mecânico. Afinal, a filosofia não muda o mundo, a filosofia muda o homem, e este pode mudar o mundo. Sem Filosofia não há vida democrática possível.

Ensino e Burocracia

       O reconhecimento de que o educador é um profissional trabalhador só acontece numa sociedade que está evoluindo. Essa atividade, todavia, já foi considerada como vocação exclusivamente intelectual e, por vezes, como tarefa secundária.
      Todo o processo começa no Império. O descaso com a educação reinava nas províncias coloniais. A atividade docente em nosso país teve início com a ocupação do espaço pela iniciativa privada, justamente no início do Brasil Colônia (1549-1808) com os Jesuítas. O processo, portanto, caracteriza-se logo de início pelo Clero e pelo sexo masculino.
       O clero foi o responsável pela atividade docente. Entretanto, a necessidade de convocar colaboradores leigos exigiu a instituição de uma profissão de fé e fidelidade aos princípios da Igreja. Daí surge o termo professor: aquele que professa fé e fidelidade aos princípios religiosos, fazendo do seu viver uma relação de sacerdócio.
       Diferentes conotações surgiram neste processo, tais como: devotamento abnegado à profissão e ao empregador, o docente mais próximo de Deus, e o magistério marcado mais como um “sacerdócio” do que como profissão. Essa herança cultural constrange e aliena. Inibe a luta por direitos, que não se misturam com devoção. Além disso, os sacerdotes já são privilegiados por usufruírem da prerrogativa de falar por Deus.
        A República Federativa do Brasil, uma vez proclamada, precisava abandonar a mentalidade provinciana e favorecer a cultura que seria alcançada por meio da educação. Surgem, então, escolas para preparar professores. Esse é o momento da presença majoritária das mulheres, o que faz com que a docência seja identificada às características femininas, mostrando atributos como afeto, doação, paciência, etc.
        Atitudes “maternais” serviram aos propósitos de desprofissionalizar a docência e “justificar” oportunamente a exploração e os baixos salários a que os mestres foram submetidos. O maternal e o divino também contribuíram para expulsar a política da sala de aula.
        Segundo Miguel Arroyo, “encontramos, ainda, milhares de professores que parecem dispensar essa consciência política (...). Profissionais que defendem sua auto-imagem, seus direitos, mas que consideram que a política não é tão necessária, ao menos nos vínculos estreitos que assumem como tendências político-partidárias”.
        A presença feminina na educação deve-se ao processo de urbanização e industrialização que ampliava oportunidades de trabalho. É resultante de uma maior intervenção do Estado sobre a docência – a determinação de conteúdos e níveis de ensino, a exigência de credenciais dos mestres, horários, livros e salários – ou como processso paralelo à perda da autonomia que passaram a sofrer as novas agentes de ensino.
        A Revolução Industrial alterou o cenário o magistério como atividade estritamente intelectual. O Fordismo e o Taylorismo, como ideário de administração científica do trabalho, chegaram ao ambiente escolar determinando nova dinâmica de atuação aos professores, inclusive trazendo maior desgaste, controle rígido e serviço manual aos docentes, incluindo o controle permanente do fluxo do “produto parcialmente desenvolvido”, isto é, o aluno.
        A partir de 64, o regime militar se encarrega de jogar no colo dos professores uma infinidade de tarefas burocráticas exigindo-lhes uma ocupação excessivamente administrativa e de controle; impondo uma ação didática mais técnica, eficiente e produtiva..
        O excesso de burocracia, o tecnicismo e a exploração, forjaram as circunstâncias objetivas geradoras de doenças entre os profissionais da educação. O  adoecimento dos professores, no exercício de sua função representa o comprometimento do futuro da educação e, consequentemente, um perigo para o desenvolvimento social e sustentável do país

Um pouco de ética

       A palavra ética é de origem grega "ethos", e quer dizer o modo de ser, o caráter. Os romanos traduziram o "ethos" grego, para o latim "mos" (no plural "mores"), que significa costume, de onde vem a palavra moral. Tanto "ethos" (caráter) como "mos" (costume) indicam um tipo de comportamento propriamente humano que não é natural, pois o homem não nasce com ele como se fosse um instinto, mas que é adquirido ou conquistado por hábito. Ética e moral, portanto, pela própria etimologia, diz respeito a uma realidade humana que é construída histórica e socialmente a partir das relações coletivas onde nascemos e vivemos.

        É comum esquecermos cotidianamente a distinção entre ética e moral, usando-as como sinônimos. Normalmente, por força das circunstâncias, apenas os estudiosos diferenciam  essas palavras. Assim, a moral é definida como conjunto de princípios, normas, preceitos, costumes, valores que norteiam o comportamento do indivíduo no seu grupo social. A moral é normativa. A moral católica, por exemplo, é um conjunto de normas ou procedimentos que devem ser respeitados e cumpridos. Como a religião serve para organizar coletivamente essa relação dos fiéis com Deus, o "religare" processa-se notadamente pela fé na existência de Deus (único, criador, onisciente, onipresente,...), na leitura da Bíblia, na frequência à missa, etc.
 
        A ética, por outro lado, é definida como a teoria, o conhecimento ou a ciência do comportamento moral que busca explicar, compreender, justificar e criticar a moral ou as práticas morais de uma sociedade. A ética é filosófica e científica. Quando o filósofo inglês Thomas More afirma que "nenhum homem é uma ilha", ajuda-nos a compreender que a vida é convivência. É justamente na vida social e comunitária que o homem se descobre e se realiza enquanto ser ético e moral. É na relação com o outro que surgem os problemas e as indagações morais: o que devo fazer? Como agir em determinadas circunstâncias? Como devo votar nas próximas eleições, sabendo que um certo político multiplicou por vinte vezes, nos últimos quatro anos, o patrimônio que possuía? Como posso participar do "jogo político", sabendo que o jogo é "pesado" e que negociação política e dignidade são duas irmãs em permanente conflito? Posso cobrar algo do político que, na escola, reprovava em Matemática e hoje "engana-se "quando o assunto é dinheiro público, superfaturando obras ou desviando verbas de hospitais, Pronto Socorro, ou da merenda escolar?
        Estamos constantemente no nosso cotidiano enfrentando situações que nos apresentam problemas morais. São problemas práticos e concretos da nossa vida em sociedade, ou seja, problemas que dizem respeito às nossas decisões, escolhas, ações e comportamentos - os quais exigem uma avaliação, um julgamento, um juízo de valor entre o que socialmente é considerado bom ou mau, justo ou injusto, certo ou errado, pela moral vigente.
        O problema é que não costumamos refletir e buscar os "porquês" de nossas escolhas, dos comportamentos, dos valores. Agimos por força do hábito, dos costumes e da tradição, tendendo a naturalizar a realidade social, política, econômica e cultural. Assim, perdemos nossa capacidade crítica diante da realidade. Em outras palavras, não costumamos fazer ética, pois não fazemos a crítica, nem buscamos compreender e explicitar a nossa realidade moral .
         No Brasil, encontramos exemplos de toda ordem. Nossa sociedade é marcada pelas injustiças socio-econômicas, pelo preconceito racial e sexual, pela exploração de mão-de-obra infantil, pelo "jeitinho" e a "lei de Gérson", etc. Estamos diante de problemas muito sérios. Contudo, já estamos cansados das mentiras que procuram nos convencer  que a desigualdade, a fome e a miséria existiram desde sempre. Contudo, os problemas decorrentes da decadência ética não podem ser resolvidos apenas com a educação moral do indivíduo. É preciso que exista vontade política para alterar as condições patogêncas geradoras da doença social, para que se possa dar possibilidade de superação da pobreza moral.
           Em outras palavras, "não basta reformar o indivíduo para reformar a sociedade" .  Um projeto moral desconectado do projeto político está destinado ao fracasso. Os dois processos devem caminhar juntos, pois "formar"  o homem plenamente moral só é possível na sociedade que também se esforça para ser justa.

Filosofia e Educação

             A educação é, segundo Cipriano  Luckesi,  um tipo de atividade que se se caracteriza fundamentalmente por uma preocupação, por uma finalidade a ser atingida. A educação dentro de uma sociedade não se manifesta como um fim em si mesma, mas sim como instrumento de manutenção ou transformação social. Assim sendo, ela necessita de pressupostos, de conceitos que fundamentem  e orientem os seus caminhos. A sociedade dentro da qual ela está deve possuir alguns valores norteadores de sua prática.

                 Não é nem pode ser a prática educacional que estabelece seus fins. Quem o faz é a reflexão filosófica sobre a educação dentro de uma determinada sociedade. As relações entre educação e filosofia parecem ser quase “naturais”. Enquanto a educação trabalha com o desenvolvimento dos jovens e das novas gerações de uma sociedade, a filosofia é a reflexão sobre o que e como devem se desenvolver estes  jovens  e esta sociedade.
                 
            Anísio Teixeira chega  a refletir que “muito antes que as filosofias viessem expressamente a ser formuladas em sistemas, já a educação como processo de perpetuação da cultura, nada mais era do que o meio de se transmitir a visão do mundo e do homem, que a respectiva  sociedade honrasse e cultivasse”. Evidentemente, nessa afirmação o autor está tomando a filosofia como forma de vida de um povo, e não como sistema filosófico elaborado e explicitado  deliberadamente.

            Deve-se mesmo observar que os primeiros filósofos do ocidente, na quase totalidade, tiveram um “preocupar” com o aspecto educacional. Os  filósofos da natureza, identificados posteriormente com pré-socráticos,  os sofistas, Sócrates,  e Platão, foram os intérpretes das aspirações de seus respectivos tempos e apresentaram-se sempre como educadores.

    Os pré-socráticos, pelo que sabemos dos seus fragmentos, dedicaram-se a entender a origem do cosmos (universo) e a criar uma compreensão para a educação moral e espiritual dos homens. Os sofistas foram educadores, os primeiros a ensinar no ocidente, inclusive.
   Da mesma maneira, analisando a história da filosofia e dos filósofos, verificamos que todos eles tiveram uma preocupação com a definição de uma cosmovisão  (concepção de mundo) que deveria se divulgada através de processos educacionais.  Sócrates, acusado por Meleto de corromper a Juventude, foi  condenado a beber cicuta. Seu ideal  era educar os jovens e estabelecer uma moral ao ambiente grego ateniense. Platão foi o que pretendeu dar ao filósofo o posto de rei, a fim de que este tivesse a possibilidade de imprimir na juventude as idéias do bem, da justiça e da honestidade.

             Filosofia e educação são dois fenômenos que estão presentes em todas as sociedades. Uma com interpretação dos desejos e anseios do grupo humano, e a outra como veículo dessa interpretação.  A filosofia oferece à educação, um pensar crítico sobre a sociedade na qual está situada, sobre o educando, o educador e para onde esses elementos podem caminhar.

     Nas relações entre filosofia e educação só existem realmente duas opções: ou se pensa e se reflete sobre o que se faz e assim se realiza uma ação educativa consciente; ou não se pensa criticamente e se executa uma ação pedagógica a partir de uma concepção mais ou menos obscura e opaca existente na cultura experimentada a cada dia e assim o ato educativo será pouco consciente.

    Quem são o educando e o educador, o que eles devem ser, quais  os seus papéis no mundo? Precisamos saber qual é a finalidade da ação pedagógica dos povos à reflexão filosófica, para que a filosofia estabeleça os pressupostos dessa prática educativa.  Assim sendo, não há como processar uma ação pedagógica sem uma correspondente  reflexão filosófica.

   Filosofia e educação, pois estão vinculadas no tempo e no espaço. Não há como fugir a essa ”fatalidade” da nossa existência. Assim sendo, parece-nos mais válido e mais rico - para nós e para a vida humana -  fazer essa composição de maneira consciente, como bem cabe a qualquer ser humano. É a liberdade no seio da necessidade.

  O mais importante não é a pura e simples transmissão de conteúdos específicos, mas provocar o despertar de uma nova relação com a experiência vivida.

Admiráveis mestres

   O Professor pensa profundamente, dirige-se ao aluno ou colega sempre com gentileza, sorri habitualmente, cumpre seus compromissos com dedicação e pontualidade, age generosamente, reza com fervor, atualiza-se e faz autocrítica. E, como uma criança, mantém a curiosidade e a capacidade de encantar-se com a beleza exuberante da natureza.
    Citamos, aqui, alguns professores que, por diversas razões, foram escolhidos para homenagear os milhares de profissionais da Educação que, no ensino superior e médio em Pelotas e Rio Grande, cumpriram e/ou cumprem honrosamente sua extraordinária missão: 
      Jandir Zanotelli, José Mattei, Cláudio Neutzling, Gomercindo Ghiggi, Agostinho Dalla Vecchia, Osmar Schaefer, Sérgio Caldas, Pe. Léo Poersche, Pe. Aldo Lorenzoni, Elisabete de Ávila César, Stela maris Moreira, Jaime John, Francisco Pablo Rodriguez Aleman, Humberto Calloni, Ernani Lampert, Tabajara Almeida, Manuel Martins Cruz, Aloísio Ruscheinsky, Ivalina Porto, Eva Lizety Ribes, Lino de Jesus Soares, Ambrósio Andrade, Raphael Alves Caldellas, Juvenal Dias da Costa, Eugênio Costa, Sadi Benites, Paulo Almeida, Renato Varoto, Edgar Timm, Neuza Quadrado, Pascoal Müller, Walney Hammes, Platão Louzada Alves da Fonseca, Hélio Furtado, Paulo Gomes da Silva, Luiz Magno Bonini,  Neif Olavo Satte Alam, Helena Manjourany da Silva, Inalva Nunes Fróes, Sírio  Lopez Velasco, Vera Feijó, Emília Tavares, Antônio Silvio Calderipe, Ruy Brasil Barbedo Antunes, Ari dos Santos, Luiz Carlos Corrêa da Silva, João Manoel Cunha, João Manoel Peil, Jorge Moraes, Ney Queiroz, Alice de Souza Mattei, Anna Andreola, Ari Freitas Azambuja, Carlos Roberto Mansur, Cléa da Conceição Lettnin, Eduardo Fernando Nogueira, Eliane Conceição da Silva Fernades, Fernando Cunha, Francisco José Petrucci, Francisco Maciel Braga, Eliane Schimidt, Gilberto Gigante, Helenita Maria Brum Silva, Ivone Maria Heidrich, José Ferranti, José Ricardo Brechane, Lúcia Valente Elias, Maria Carolina A. Pereira Ávila, Paulo Renato Machado de Souza, Regina Iruzum, Maria da Graça Iruzum Osório, Maria Daisi Prietsch, Maria de Fátima Giusti, Mariângela da Costa Rosa, Mariângela R. Afonso, Mário Luis Oliveira Pereira, Telma Delgado, Sérgio Motta, Nari Osvaldo de Freitas, Orocindo Luiz Corrêa de Azevedo, Renato Amaral Braga, Darcy Trilho Otero, Neri Schiller, Osvaldo Barbosa de Pinho, Rui Carlos Miritz, Lúcia Teixeira, Gilda Pruski, Valter Ferreira, Luis Felipe Gravato, Simone Ferreira, Vicente Russomano, Luiz Paulo Moreira, Sandra Brandt, Beatriz Rosselli, Claúdia Rosana Costa Caldeira, Avelino da Rosa Oliveira, Neiva Oliveira, César Fernando Alves Gonçalves, Celso Maclove Souza Soares, Jandir Barreto, Maria Antonieta Dall'lignia, Maria Jussara Schuch, Ana Lúcia Almeida, Letícia Corrêa, Susele Faria Dias, Rosa Dias, Victor Hugo Guimarães Rodrigues, Giovanni Baruffa, Antônio J. Viana de Pinho, Nailê Pinto Iunes, Patrícia Mussi Escobar, Cíntia Vergas, Vera Tunes Espíndola, Maribelda Silva Mendes, Wilfred Wrege, Simone Barrios, Márcia Wille, Andre Pires, Jorge Fernando Cabral, Regina Sicca, José Luna,  Luiz Guterres, Maurício Cunha, Cecília (Sylvia Mello), Clarice e Maria de Lourdes (Assis Brasil).
      Muitos dos nossos professores, especialmente no ensino médio, são abnegados. Protegem-se para continuar existindo num mundo ‘estranho’ do qual, às vezes, parecem não fazer parte. Há caminhos que não se consegue endireitar. Com o tempo e a caminhada nosso próprio Eu vai se modificando numa direção indefinida. Constatamos, sempre por reconstituir-se, a desestruturação da realidade a partir das urgências cotidianas. Pouco ou nada parece ter espaço, pouco ou nada parece ter sentido. Experimentamos, vivemos, e é o que realmente importa quando temos princípios morais. Apesar do quadro negro, a esperança sustenta cada palavra que escrevemos. Associamos coisas e lugares, damos função a cada raciocínio. Como Ulisses, singramos as águas de mares desconhecidos, com Argos, desejando que no final da viagem o Eu nunca seja o mesmo.
       Cada profissional da Educação, com sua percepção e seus sentimentos festeja o Dia do Professor, celebra a vida. Feliz Dia do Professor!!!

O Anjo da Guarda na Visão Espírita

     Os Espíritos tutelares encontram-se em to­das as esferas. Os anjos da sublime vigilância, analisados em sua excelsitude divina, seguem-nos a longa estrada evolutiva. Des­velam-se por nós, dentro das Leis que nos regem, todavia, não podemos esquecer que nos movimen­tamos todos em círculos multidimensionais. A cadeia de ascensão do espírito vai da intimidade do abismo à suprema glória celeste.
    Será justo lembrar que estamos plasmando nossa individualidade imperecível no espaço e no tempo, ao preço de continuadas e difíceis experiên­cias. A idéia de um ente divinizado e perfeito, invariavelmente ao nosso lado, ao dispor de nossos caprichos ou ao sabor de nossas dívidas, não con­corda com a Justiça. Que governo terrestre desta­caria um de seus ministros mais sábios e especia­lizados na garantia do bem de todos para colar-se, indefinidamente, ao destino de um só homem, qua­se sempre renitente cultor de complicados enigmas e necessitado, por isso mesmo, das mais severas lições da vida? Porque haveria de obrigar-se um arcanjo a descer da Luz Eterna para seguir, passo a passo, um homem deliberadamente egoísta ou preguiçoso? Tudo exige lógica, bom-senso

     Anjo, segundo a acepção justa do termo, é mensageiro. Ora, há mensageiros de todas as condições e de todas as procedências e, por isso, a antigüidade sempre admitiu a existência de anjos bons e anjos maus

    Anjo de guarda, desde as con­cepções religiosas mais antigas, é uma expressão que define o Espírito celeste que vigia a criatura em nome de Deus ou pessoa que se devota infini­tamente a outra, ajudando-a e defendendo-a

    Em qualquer região, convivem conosco os Espíritos fa­miliares de nossa vida e de nossa luta. Dos seres mais embrutecidos aos mais sublimados, temos a corrente de amor, cujos elos podemos simbolizar nas almas que se querem ou que se afinam umas com as outras, dentro da infinita gradação do pro­gresso. A família espiritual é uma constelação de Inteligências, cujos membros estão na Terra e nos Céus. Aquele que já pode ver mais um pouco au­xilia a visão daquele que ainda se encontra em luta por desvencilhar-se da própria cegueira. Todos nós, por mais baixo nos revelemos na escala da evolução, possuímos, não longe de nós, alguém que nos ama a impelir-nos para a elevação. Isso pode­mos verificar nos círculos da matéria mais densa. Temos constantemente corações que nos devotam estima e se consagram ao nosso bem. De todas as afeições terrestres, salientemos, para exemplificar, a devoção das mães. O espírito maternal é uma espécie de anjo ou mensageiro, embora muita vez circunscrito ao cárcere de férreo egoísmo, na custó­dia dos filhos. Além das mães, cujo amor padece muitas deficiências, quando confrontado com os princípios essenciais da fraternidade e da justiça, temos afetos e simpatias dos mais envolventes, capazes dos mais altos sacrifícios por nós, não obstante condicionados a objetivos por vezes egoís­ticos. Não podemos olvidar, porém, que o admi­rável altruísmo de amanhã começa na afetividade estreita de hoje, como a árvore parte do embrião

    Todas as criaturas, individualmente, contam com louváveis devotamentos de entidades afins que se lhes afeiçoam. A orfandade real não existe. Em nome do Amor, todas as almas recebem assistên­cia onde quer que se encontrem

    Irmãos mais ve­lhos ajudam os mais novos. Mestres inspiram dis­cípulos. Pais socorrem os filhos. Amigos ligam-se a amigos. Companheiros auxiliam companheiros

      Isso ocorre em todos os planos da Natureza e, fatalmente, na Terra, entre os que ainda vivem na carne e os que já atravessaram o escuro passadiço da morte. Os gregos sabiam disso e recorriam aos seus gênios invisíveis. Os romanos compreendiam essa verdade e cultuavam os numes domésticos

     O gênio guardião será sempre um Espírito benfazejo para o protegido, mas é imperioso anotar que os laços afetivos, em torno de nós, ainda se encon­tram em marcha ascendente para mais altos níveis da vida. Os  Espíritos familiares que nos protegem, são grandes e respeitáveis heróis do bem, mas ainda singularmente distanciados da an­gelitude eterna.

    “Nossos anjos de guarda não combinam entre si”, ou, ainda, “façamos uma oração aos an­jos de guarda”, reconhecendo-se, instintivamente, que os gênios familiares de nossa intimidade ainda se encontram no campo de afinidades específicas, e precisam, por vezes, de apelos à natureza superior para atenderem a esse ou àquele gênero de serviço.

Darwin e nossos ancestrais


           Nunca a filosofia fecha questão sobre coisa alguma. Enquanto houver vida humana na Terra, algum cérebro  estará pensando. Quem conhece um pouco de Antropologia sabe que o homem não surgiu no mundo como tal, portanto, ainda não poderia pensar. O que havia era vivência histórica, mas não Filosofia. Até chegar aos pensamentos mais rudimentares houve uma caminhada de milênios. A liberação das mãos que deixaram o solo; o erguimento da coluna,  que passou a ser ereta; o pensar mínimo de como utilizar as mãos (ferramentas), foram processuais. Tudo é evolução! 
                 
             É do nosso conhecimento que não nasceu (ou foi criado), em algures, um ser que, caminhante, foi ter com os demais da mesma espécie. Conhece-se o homem gregário, dependente de afeto (progenitores) e demais integrantes do grupo.

        Credita-se ou (desacredita-se) a Darwin a teoria de que os homens descendem dos macacos. Acreditava que homens e símios são descendentes de um ancestral pré-histórico comum, atualmente extinto. O macaco, então, não é o nosso avô, mas nosso primo.

        O homem, segundo Darwin, é a mais elevada forma de vida sobre a Terra. Conseguiu o domínio sobre os outros animais, por meio da lei de sobrevivência dos mais capazes. Pelas palavras, mais capaz, Darwin não quer dizer, necessariamente, o mais forte ou o mais sanguinário. Entre os animais inferiores, sem dúvida, a seleção natural se processa pela luta física e o extermínio. Darwin, porém, entende que dentro da esfera humana, a luta individual é substituída pela cooperação social do grupo inteiro. A agressividade egoísta dá lugar ao auxílio mútuo. A lei da selva não se aplica mais à vida do homem. Lentamente vamos aprendendo o fato de que o melhor meio de garantir a sobrevivência do ser humano individual é trabalhar pela conservação da humanidade.

         Darwin, mesmo sendo ateu, não aceitando a ideia de um Deus Criador,  defende a tese Aristotélica de que o homem é um animal social. O homem está ligado a tudo que respira, se move e luta para viver. A primeira edição do livro, lançada em 1859, tinha o título quilométrico de "A Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural ou a Conservação das Raças Favorecidas na Luta pela Vida". 

         O método por que essa evolução se realiza - e que gera as mais diversas interpretações - chama-se em falta de denominação mais apropriada, "seleção natural" - ou seja, seleção pela natureza, das características que capacitam as espécies a sobreviver, e a eliminação das características que vão se tornando desnecessárias no novo ambiente. 

            O naturalista britânico explica que "o homem não é senão um degrau mais alto que os chamados animais inferiores. Desenvolve esse pensamento em seu livro seguinte: "A Descendência do Homem". O sujeito que nos apresentou aos nossos ancestrais, enfatiza a inteligência, ao afirmar que "Todo assunto está além do alcance do homem; mas o homem pode fazer o seu dever, isto é, trabalhar durante toda a vida a fim de indicar a luz ao seu semelhante. Agnóstico, Darwin acreditava numa consciência cósmica. Classifica o homem como animal, mas um animal com uma infinita capacidade de amar.

         A ideia de solidariedade dentro da espécie humana defendida pelo pesquisador britânico foi incorporada, com outros interesses, por alguns Sociólogos e Políticos. Aristóteles, já falava em "bem-comum" e felicidade. 

            Sabemos que a pretensão dos discursos, em períodos eleitorais, é construir a hegemonia, diminuir as diferenças entre os diversos grupos construindo uma ramificação de equivalências que faz parecer que o interesse do grupo dominante é o mesmo do conjunto da sociedade. A “poesia” de Darwin foi oportunamente distorcida para escamotear a dor e a fome, daqueles que construíram prédios majestosos, misturando a massa com suor e sangue.

          Trabalhamos a profundidade de um texto que mais oferece, ao leitor, indagações do que as certezas tão necessárias à quietude d'alma. É preferível escrever, enfrentar a existência com seus perigos a sucumbir envolto ao "nada"; manter a capacidade de indignação diante de tantas injustiças. 
                
         É bem sucedido  o homem que é capaz de vencer seus inimigos internos. Organizemos, pois, nosso “exército” munidos de elmo, escudo e espada para, se necessário for, enfrentar a hostilidade primitiva de nossos algozes em confronto de vida ou morte.

A Evolução das Espécies

           O pesquisador Charles Darwin, 1809-1882, construiu uma teoria que explica a diversidade das espécies de seres vivos por meio da evolução e da seleção natural.Os estudos de Darwin, todavia, especialmente no século XIX, sugeriram que algo semelhante pudesse acontecer com a sociedade humana.Isso passa a ser uma crença. Para alguns essa verdade vai se absolutizando. E o nome dado a essa interpretação é Darwinismo social.
         Esse modelo aplicado ao homem enfatiza que existem características biológicas e sócias que determinariam que uma pessoa é superior à outra, pois o enquadramento nesses critérios determinaria mais aptidões e, consequentemente a possibilidade de decidir e comandar.
         Geralmente, alguns padrões determinados como indícios de superioridade em um ser humano seriam o maior poder aquisitivo, habilidade nas ciências humanas e exatas em detrimento das outras ciências como a arte por exemplo, e a raça da qual ela faz parte.
            Pensadores outros, atribuíram ao próprio Darwin a origem do Darwinismo social, pois em sua obra “A Origem do Homem”, teria aplicado sua tese evolucionista ao mundo social considerando os mesmos critérios de “A Origem das Espécies”.  Essa relação levou pensadores a afirmarem que a interpretação social estava no próprio Darwin.
          Defensores do Capitalismo passaram a empregar o termo para justificar a pobreza pós-revolução industrial, lembrando que os que estavam pobres eram menos aptos.Isso serviu com argumento para, por exemplo, colonizar a África ampliando o domínio de terras e o sistema capitalista. Sendo assim, já adaptados os europeus poderiam colonizar o continente africano para ajudá-lo (e outros) a evoluir e mostrar-lhes a estrada do capitalismo.
       No fundo sabemos que o que realmente queriam era usufrir dos bens naturais: ferro, ouro, diamantes,etc. Os habitantes, por sua vez, seriam mão de obra em trabalho escravo.  
           Sabemos que entre os animais, apenas o homem é racional e, portanto, um ser histórico capaz de analisar o passado e projetar o futuro. Que o homem é regido por um binômio inseparável: o pensar e o agir. Toda ação humana é precedida do pensamento, e todo pensamento e constituído a partir da ação.
         Os animais irracionais não podem acumular conhecimentos técnicos, nem ter qualquer visão do significado da vida.
         Qual é, então, o significado da história para um darwinista social, que considera o homem como pouco mais que um animal que opera com inteligência, para conseguir finalidades meramente egoístas? Não passará de uma luta pela sobrevivência, em escala maior e mais intensa, assumindo a força de guerra, de derrota e exploração de seus rivais, de dominação dos mais fracos?
          E, se este é o homem moldado pela natureza, será impossível opor-lhe o sonho utópico e ideal ético de quem espera e luta por um estilo de vida menos bestial? Se a resposta for positiva, devemos nos preparar para suportar o desprezo e o ridículo por parte dos que vêem a natureza como algo indomável, usando de tais meios?
            Não é esta, entretanto, a réplica adequada para quem afirma que o homem é um animal de rapina. O sujeito de nossa justificativa para desejarmos uma vida melhor é a pura constatação de que somos homens, e não leões. O leão reina na selva entre animais ferozes, é instinto, força e sobrevivência. O homem pode disputar espaços eticamente, dentro da sociedade.
        O homem, não carece de justificativas opressoras se o que defende não é a exclusão do outro. A razão pode ser libertadora. Por sua natureza, estimulado pelo processo educativo, tende a cooperar e a depender do outro. Será tanto mais ético quanto for mais  humano. A humanidade, até nossos dias, sobreviveu à bestialidade. Essa mesma bestialidade que insiste em permanecer contida na idéia da seleção natural.
        A história da humanidade, recheada de violência, opressão e guerras, mostra que até essa primeira década do terceiro milênio não foi possível eliminar a besta que habita em cada um de nós. Criando e desenvolvendo a civilização, o homem sobrevive e continua o processo de evolução. Somente a educação pode humanizar o homem.
        E, lembrando de Brasília, a capital federal, e dos políticos de maneira geral, se somente a educação pode conter a besta, então é verdade que vamos precisar contratar uma imensidâo de professores...