Educação - Filosofia - Dignidade- Democracia

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Ensino e Burocracia

       O reconhecimento de que o educador é um profissional trabalhador só acontece numa sociedade que está evoluindo. Essa atividade, todavia, já foi considerada como vocação exclusivamente intelectual e, por vezes, como tarefa secundária.
      Todo o processo começa no Império. O descaso com a educação reinava nas províncias coloniais. A atividade docente em nosso país teve início com a ocupação do espaço pela iniciativa privada, justamente no início do Brasil Colônia (1549-1808) com os Jesuítas. O processo, portanto, caracteriza-se logo de início pelo Clero e pelo sexo masculino.
       O clero foi o responsável pela atividade docente. Entretanto, a necessidade de convocar colaboradores leigos exigiu a instituição de uma profissão de fé e fidelidade aos princípios da Igreja. Daí surge o termo professor: aquele que professa fé e fidelidade aos princípios religiosos, fazendo do seu viver uma relação de sacerdócio.
       Diferentes conotações surgiram neste processo, tais como: devotamento abnegado à profissão e ao empregador, o docente mais próximo de Deus, e o magistério marcado mais como um “sacerdócio” do que como profissão. Essa herança cultural constrange e aliena. Inibe a luta por direitos, que não se misturam com devoção. Além disso, os sacerdotes já são privilegiados por usufruírem da prerrogativa de falar por Deus.
        A República Federativa do Brasil, uma vez proclamada, precisava abandonar a mentalidade provinciana e favorecer a cultura que seria alcançada por meio da educação. Surgem, então, escolas para preparar professores. Esse é o momento da presença majoritária das mulheres, o que faz com que a docência seja identificada às características femininas, mostrando atributos como afeto, doação, paciência, etc.
        Atitudes “maternais” serviram aos propósitos de desprofissionalizar a docência e “justificar” oportunamente a exploração e os baixos salários a que os mestres foram submetidos. O maternal e o divino também contribuíram para expulsar a política da sala de aula.
        Segundo Miguel Arroyo, “encontramos, ainda, milhares de professores que parecem dispensar essa consciência política (...). Profissionais que defendem sua auto-imagem, seus direitos, mas que consideram que a política não é tão necessária, ao menos nos vínculos estreitos que assumem como tendências político-partidárias”.
        A presença feminina na educação deve-se ao processo de urbanização e industrialização que ampliava oportunidades de trabalho. É resultante de uma maior intervenção do Estado sobre a docência – a determinação de conteúdos e níveis de ensino, a exigência de credenciais dos mestres, horários, livros e salários – ou como processso paralelo à perda da autonomia que passaram a sofrer as novas agentes de ensino.
        A Revolução Industrial alterou o cenário o magistério como atividade estritamente intelectual. O Fordismo e o Taylorismo, como ideário de administração científica do trabalho, chegaram ao ambiente escolar determinando nova dinâmica de atuação aos professores, inclusive trazendo maior desgaste, controle rígido e serviço manual aos docentes, incluindo o controle permanente do fluxo do “produto parcialmente desenvolvido”, isto é, o aluno.
        A partir de 64, o regime militar se encarrega de jogar no colo dos professores uma infinidade de tarefas burocráticas exigindo-lhes uma ocupação excessivamente administrativa e de controle; impondo uma ação didática mais técnica, eficiente e produtiva..
        O excesso de burocracia, o tecnicismo e a exploração, forjaram as circunstâncias objetivas geradoras de doenças entre os profissionais da educação. O  adoecimento dos professores, no exercício de sua função representa o comprometimento do futuro da educação e, consequentemente, um perigo para o desenvolvimento social e sustentável do país

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