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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Darwin e nossos ancestrais


           Nunca a filosofia fecha questão sobre coisa alguma. Enquanto houver vida humana na Terra, algum cérebro  estará pensando. Quem conhece um pouco de Antropologia sabe que o homem não surgiu no mundo como tal, portanto, ainda não poderia pensar. O que havia era vivência histórica, mas não Filosofia. Até chegar aos pensamentos mais rudimentares houve uma caminhada de milênios. A liberação das mãos que deixaram o solo; o erguimento da coluna,  que passou a ser ereta; o pensar mínimo de como utilizar as mãos (ferramentas), foram processuais. Tudo é evolução! 
                 
             É do nosso conhecimento que não nasceu (ou foi criado), em algures, um ser que, caminhante, foi ter com os demais da mesma espécie. Conhece-se o homem gregário, dependente de afeto (progenitores) e demais integrantes do grupo.

        Credita-se ou (desacredita-se) a Darwin a teoria de que os homens descendem dos macacos. Acreditava que homens e símios são descendentes de um ancestral pré-histórico comum, atualmente extinto. O macaco, então, não é o nosso avô, mas nosso primo.

        O homem, segundo Darwin, é a mais elevada forma de vida sobre a Terra. Conseguiu o domínio sobre os outros animais, por meio da lei de sobrevivência dos mais capazes. Pelas palavras, mais capaz, Darwin não quer dizer, necessariamente, o mais forte ou o mais sanguinário. Entre os animais inferiores, sem dúvida, a seleção natural se processa pela luta física e o extermínio. Darwin, porém, entende que dentro da esfera humana, a luta individual é substituída pela cooperação social do grupo inteiro. A agressividade egoísta dá lugar ao auxílio mútuo. A lei da selva não se aplica mais à vida do homem. Lentamente vamos aprendendo o fato de que o melhor meio de garantir a sobrevivência do ser humano individual é trabalhar pela conservação da humanidade.

         Darwin, mesmo sendo ateu, não aceitando a ideia de um Deus Criador,  defende a tese Aristotélica de que o homem é um animal social. O homem está ligado a tudo que respira, se move e luta para viver. A primeira edição do livro, lançada em 1859, tinha o título quilométrico de "A Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural ou a Conservação das Raças Favorecidas na Luta pela Vida". 

         O método por que essa evolução se realiza - e que gera as mais diversas interpretações - chama-se em falta de denominação mais apropriada, "seleção natural" - ou seja, seleção pela natureza, das características que capacitam as espécies a sobreviver, e a eliminação das características que vão se tornando desnecessárias no novo ambiente. 

            O naturalista britânico explica que "o homem não é senão um degrau mais alto que os chamados animais inferiores. Desenvolve esse pensamento em seu livro seguinte: "A Descendência do Homem". O sujeito que nos apresentou aos nossos ancestrais, enfatiza a inteligência, ao afirmar que "Todo assunto está além do alcance do homem; mas o homem pode fazer o seu dever, isto é, trabalhar durante toda a vida a fim de indicar a luz ao seu semelhante. Agnóstico, Darwin acreditava numa consciência cósmica. Classifica o homem como animal, mas um animal com uma infinita capacidade de amar.

         A ideia de solidariedade dentro da espécie humana defendida pelo pesquisador britânico foi incorporada, com outros interesses, por alguns Sociólogos e Políticos. Aristóteles, já falava em "bem-comum" e felicidade. 

            Sabemos que a pretensão dos discursos, em períodos eleitorais, é construir a hegemonia, diminuir as diferenças entre os diversos grupos construindo uma ramificação de equivalências que faz parecer que o interesse do grupo dominante é o mesmo do conjunto da sociedade. A “poesia” de Darwin foi oportunamente distorcida para escamotear a dor e a fome, daqueles que construíram prédios majestosos, misturando a massa com suor e sangue.

          Trabalhamos a profundidade de um texto que mais oferece, ao leitor, indagações do que as certezas tão necessárias à quietude d'alma. É preferível escrever, enfrentar a existência com seus perigos a sucumbir envolto ao "nada"; manter a capacidade de indignação diante de tantas injustiças. 
                
         É bem sucedido  o homem que é capaz de vencer seus inimigos internos. Organizemos, pois, nosso “exército” munidos de elmo, escudo e espada para, se necessário for, enfrentar a hostilidade primitiva de nossos algozes em confronto de vida ou morte.

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