A educação é, segundo Cipriano Luckesi, um tipo de atividade que se se caracteriza fundamentalmente por uma preocupação, por uma finalidade a ser atingida. A educação dentro de uma sociedade não se manifesta como um fim em si mesma, mas sim como instrumento de manutenção ou transformação social. Assim sendo, ela necessita de pressupostos, de conceitos que fundamentem e orientem os seus caminhos. A sociedade dentro da qual ela está deve possuir alguns valores norteadores de sua prática.
Não é nem pode ser a prática educacional que estabelece seus fins. Quem o faz é a reflexão filosófica sobre a educação dentro de uma determinada sociedade. As relações entre educação e filosofia parecem ser quase “naturais”. Enquanto a educação trabalha com o desenvolvimento dos jovens e das novas gerações de uma sociedade, a filosofia é a reflexão sobre o que e como devem se desenvolver estes jovens e esta sociedade.
Anísio Teixeira chega a refletir que “muito antes que as filosofias viessem expressamente a ser formuladas em sistemas, já a educação como processo de perpetuação da cultura, nada mais era do que o meio de se transmitir a visão do mundo e do homem, que a respectiva sociedade honrasse e cultivasse”. Evidentemente, nessa afirmação o autor está tomando a filosofia como forma de vida de um povo, e não como sistema filosófico elaborado e explicitado deliberadamente.
Deve-se mesmo observar que os primeiros filósofos do ocidente, na quase totalidade, tiveram um “preocupar” com o aspecto educacional. Os filósofos da natureza, identificados posteriormente com pré-socráticos, os sofistas, Sócrates, e Platão, foram os intérpretes das aspirações de seus respectivos tempos e apresentaram-se sempre como educadores.
Os pré-socráticos, pelo que sabemos dos seus fragmentos, dedicaram-se a entender a origem do cosmos (universo) e a criar uma compreensão para a educação moral e espiritual dos homens. Os sofistas foram educadores, os primeiros a ensinar no ocidente, inclusive.
Da mesma maneira, analisando a história da filosofia e dos filósofos, verificamos que todos eles tiveram uma preocupação com a definição de uma cosmovisão (concepção de mundo) que deveria se divulgada através de processos educacionais. Sócrates, acusado por Meleto de corromper a Juventude, foi condenado a beber cicuta. Seu ideal era educar os jovens e estabelecer uma moral ao ambiente grego ateniense. Platão foi o que pretendeu dar ao filósofo o posto de rei, a fim de que este tivesse a possibilidade de imprimir na juventude as idéias do bem, da justiça e da honestidade.
Filosofia e educação são dois fenômenos que estão presentes em todas as sociedades. Uma com interpretação dos desejos e anseios do grupo humano, e a outra como veículo dessa interpretação. A filosofia oferece à educação, um pensar crítico sobre a sociedade na qual está situada, sobre o educando, o educador e para onde esses elementos podem caminhar.
Nas relações entre filosofia e educação só existem realmente duas opções: ou se pensa e se reflete sobre o que se faz e assim se realiza uma ação educativa consciente; ou não se pensa criticamente e se executa uma ação pedagógica a partir de uma concepção mais ou menos obscura e opaca existente na cultura experimentada a cada dia e assim o ato educativo será pouco consciente.
Quem são o educando e o educador, o que eles devem ser, quais os seus papéis no mundo? Precisamos saber qual é a finalidade da ação pedagógica dos povos à reflexão filosófica, para que a filosofia estabeleça os pressupostos dessa prática educativa. Assim sendo, não há como processar uma ação pedagógica sem uma correspondente reflexão filosófica.
Filosofia e educação, pois estão vinculadas no tempo e no espaço. Não há como fugir a essa ”fatalidade” da nossa existência. Assim sendo, parece-nos mais válido e mais rico - para nós e para a vida humana - fazer essa composição de maneira consciente, como bem cabe a qualquer ser humano. É a liberdade no seio da necessidade.
O mais importante não é a pura e simples transmissão de conteúdos específicos, mas provocar o despertar de uma nova relação com a experiência vivida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário