Educação - Filosofia - Dignidade- Democracia

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A Evolução das Espécies

           O pesquisador Charles Darwin, 1809-1882, construiu uma teoria que explica a diversidade das espécies de seres vivos por meio da evolução e da seleção natural.Os estudos de Darwin, todavia, especialmente no século XIX, sugeriram que algo semelhante pudesse acontecer com a sociedade humana.Isso passa a ser uma crença. Para alguns essa verdade vai se absolutizando. E o nome dado a essa interpretação é Darwinismo social.
         Esse modelo aplicado ao homem enfatiza que existem características biológicas e sócias que determinariam que uma pessoa é superior à outra, pois o enquadramento nesses critérios determinaria mais aptidões e, consequentemente a possibilidade de decidir e comandar.
         Geralmente, alguns padrões determinados como indícios de superioridade em um ser humano seriam o maior poder aquisitivo, habilidade nas ciências humanas e exatas em detrimento das outras ciências como a arte por exemplo, e a raça da qual ela faz parte.
            Pensadores outros, atribuíram ao próprio Darwin a origem do Darwinismo social, pois em sua obra “A Origem do Homem”, teria aplicado sua tese evolucionista ao mundo social considerando os mesmos critérios de “A Origem das Espécies”.  Essa relação levou pensadores a afirmarem que a interpretação social estava no próprio Darwin.
          Defensores do Capitalismo passaram a empregar o termo para justificar a pobreza pós-revolução industrial, lembrando que os que estavam pobres eram menos aptos.Isso serviu com argumento para, por exemplo, colonizar a África ampliando o domínio de terras e o sistema capitalista. Sendo assim, já adaptados os europeus poderiam colonizar o continente africano para ajudá-lo (e outros) a evoluir e mostrar-lhes a estrada do capitalismo.
       No fundo sabemos que o que realmente queriam era usufrir dos bens naturais: ferro, ouro, diamantes,etc. Os habitantes, por sua vez, seriam mão de obra em trabalho escravo.  
           Sabemos que entre os animais, apenas o homem é racional e, portanto, um ser histórico capaz de analisar o passado e projetar o futuro. Que o homem é regido por um binômio inseparável: o pensar e o agir. Toda ação humana é precedida do pensamento, e todo pensamento e constituído a partir da ação.
         Os animais irracionais não podem acumular conhecimentos técnicos, nem ter qualquer visão do significado da vida.
         Qual é, então, o significado da história para um darwinista social, que considera o homem como pouco mais que um animal que opera com inteligência, para conseguir finalidades meramente egoístas? Não passará de uma luta pela sobrevivência, em escala maior e mais intensa, assumindo a força de guerra, de derrota e exploração de seus rivais, de dominação dos mais fracos?
          E, se este é o homem moldado pela natureza, será impossível opor-lhe o sonho utópico e ideal ético de quem espera e luta por um estilo de vida menos bestial? Se a resposta for positiva, devemos nos preparar para suportar o desprezo e o ridículo por parte dos que vêem a natureza como algo indomável, usando de tais meios?
            Não é esta, entretanto, a réplica adequada para quem afirma que o homem é um animal de rapina. O sujeito de nossa justificativa para desejarmos uma vida melhor é a pura constatação de que somos homens, e não leões. O leão reina na selva entre animais ferozes, é instinto, força e sobrevivência. O homem pode disputar espaços eticamente, dentro da sociedade.
        O homem, não carece de justificativas opressoras se o que defende não é a exclusão do outro. A razão pode ser libertadora. Por sua natureza, estimulado pelo processo educativo, tende a cooperar e a depender do outro. Será tanto mais ético quanto for mais  humano. A humanidade, até nossos dias, sobreviveu à bestialidade. Essa mesma bestialidade que insiste em permanecer contida na idéia da seleção natural.
        A história da humanidade, recheada de violência, opressão e guerras, mostra que até essa primeira década do terceiro milênio não foi possível eliminar a besta que habita em cada um de nós. Criando e desenvolvendo a civilização, o homem sobrevive e continua o processo de evolução. Somente a educação pode humanizar o homem.
        E, lembrando de Brasília, a capital federal, e dos políticos de maneira geral, se somente a educação pode conter a besta, então é verdade que vamos precisar contratar uma imensidâo de professores...

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